Eu lia algumas crônicas de Rubem Braga,
quando subitamente fiquei em silêncio. Absorto em meus pensamentos, eu me
desprendi do filete de prata que me prendia à realidade. Fiquei a recordar uma
conversa que tive com duas amigas durante um início de noite. O assunto da
conversa não importa. Foi alguma coisa frívola que, de tão pífia, já foi
esquecida. O que importa é que, no meio da conversa, fiquei refém dos meus
pensamentos. É fácil perceber que faço isso com muita frequência. Gostaria de
deixar claro que não faço por mal ou porque sou arrogante - há quem diga isso.
Faço porque é da minha natureza parar e meditar, me ausentando do plano
material. Nesses momentos, fico em silêncio com uma feição triste – segundo
pessoas próximas.
O silêncio pode representar
o oculto, o lúgubre, o vazio. A palavra silêncio, nesse sentido, nos remete uma
ideia de tristeza. Tristeza essa que veio daquele momento em que deixamos de
falar algo importante a uma pessoa amada. Essa hesitação causa angústia e a
tristeza, citada anteriormente.
Quando voltei a mim, tive a impressão de que meu
silêncio as incomodou. Não entendi bem o porquê. Admito que, até hoje, não
descobri a razão. Afinal, o silêncio também representa a ternura, a calma, a
paz. Os sorrisos são dados em silêncio. Aquela troca de olhares também é dada
em silêncio. A paz interior só é sentida naquela fração de segundos que seguem
uma risada, um olhar, um abraço, e é sempre acompanhada de um silêncio
característico.
Certamente, houve um
equívoco. Por que elas ficaram incomodadas? Bem, não adianta muito pensar nisso
agora. Talvez um dia eu lhes pergunte. Enquanto não faço isso, aprecio esse
belo momento de silêncio. O silêncio é belo; é bom e mau; quente e frio; alegre
e triste; efêmero e eterno. Simplesmente maravilhoso.
Alberto Palhares
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