sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Rivalidade e amizade

             
   No colegial, a amizade é fantástica. Muitas vezes, ela só dura o período letivo, mas sempre vale a pena tê-la, seja para um conselho amigo ou para uma “colinha” na hora da prova. A turma de Informática 2M do IFRN Campus São Gonçalo do Amarante, hoje, é uma turma muito unida, mas nem sempre foi assim. No início das aulas do ensino médio, em 2012, estávamos divididos em dois grandes grupos: “Informática manhã” e “Informática tarde”.
Como todo primeiro ano de estudo no Instituto, foi um ano de expectativas, adaptações, dificuldades e alegrias. Nas outras turmas, víamos que, quando algum assunto apertava, os alunos se ajudavam, independente de seus turnos. No nosso curso, era bem diferente, parecia haver rivalidade, disputa entre as turmas. O motivo? Ninguém sabe. Isso talvez acontecesse porque a turma da manhã se achava melhor que a da tarde, ou por causa do ciúme dos alunos do turno vespertino para com os do matutino, visto que alguns trabalhos eram feitos com esta turma e não com aquela, como a encenação da peça Morte e vida severina.
Claro que nessa rivalidade há exceções. Alguns do turno matutino tinham amizade com outros do vespertino, mas podemos garantir que eram poucos. Jocyele e David, figuras ilustres do curso de Informática, já eram muito amigos. Amizade essa que começou por interesse. Quando tinha prova, o do turno em que ela fosse realizada primeiro daria as respostas ao outro. Hoje estão aí, unidos como unha e cutícula. Tainara, na época, estudante do turno vespertino, e Ângela, do turno matutino, são amicíssimas desde o ano passado. Viviam dividindo segredos, alegrias, tristezas e aventuras. Nelas duas, podemos perceber quão bonita é a amizade, e como ela consegue ultrapassar qualquer barreira.
No final do ano letivo de 2012, a professora Iracyara promoveu o I Jogos da Integração. As turmas deveriam competir jogos como natação colorida e vôlei gigante umas contra as outras, mas sempre visando a integração entre todos os alunos. Como previsto, isso não aconteceu. A rivalidade entre as turmas de informática só aumentou, pois, durante o evento, uma queria ser melhor que a outra. Antes mesmo do dia do evento, todos já tinham combinado de se separarem: a turma da manhã ficaria de um lado da quadra e a da tarde ficaria do outro. Cada um torceria para si e comemoraria se o outro perdesse. E assim foi.
Quando as férias começaram, recebemos a notícia de que, no ano seguinte, os aprovados das duas turmas estudariam juntos no turno da manhã. Ninguém gostou da ideia, pois tais turnos mal se comunicavam. Para a nova turma, só ficaram os “melhores”, mesmo alguns alunos ficando em dependência. Em contraponto, Taygor Enrico e João Victor também ficaram nessa turma, sem precisar da dependência. Taygor veio para a turma representando a bagunça da manhã, e João Victor a da tarde. Hoje em dia, se você acha um deles, também acha o outro, pois não há peido que um solte e o outro não sinta o cheiro. Eles têm uma amizade estranha, mas todos percebem que os dois formam um par de colchetes escrito “bagunça” dentro.
Apresentamos a peça The Little Princess e Édipo Rei depois de cinco meses juntos. No tempo em que escolhemos em qual peça encenaríamos, a turma ainda era dividida. A maioria dos alunos que eram da tarde escolheram The Little Princess, e a maioria que já era da manhã escolheram Édipo Rei. De qualquer forma, após as apresentações, todos sentiram que a turma estava mais unida.
Na viagem que fizemos a Mossoró recentemente, conseguimos perceber que a rivalidade se transformou em amizade, e as brigas em companheirismo. Não há mais aquela divisão das águas “manhã” e “tarde”. Todos nós conversamos normalmente, brincamos, fazemos bagunça, como se estivéssemos juntos desde o primeiro dia de aula na Instituição. É, a amizade pode surgir de qualquer forma, e ela é magnífica.

                                                                                                                Régia Carla.

Ironias do IFRN

E mais uma vez, todo mundo preparado para mais um gabinete itinerante, todos “entusiasmados” para ter uma conversa com aquele cara que vem uma vez ao ano. Como é o nome dele mesmo? Ah! Belquior? Belchior? Bel...? Bel me lembra Chiclete com Banana: “Eu vou voar, atrás desse amor, vou encontrar seja aonde for”. Ah, Chiclete acabou. Voltando. Esse evento é de grande importância para o Campus.
Alunos são liberados, funcionários param as atividades, os corredores ficam vazios, e Carlos Magno (vulgo Carlinhos faz tudo) já colocou todas as cadeiras no hall. Isso mesmo, no hall, mas o número de cadeiras é em vão, já que a maioria dos alunos preferem ir para casa. Auditório aqui só serve de almoxarifado. As obras foram paradas desde a “inauguração” do Campus, e de auditório só tem mesmo o nome na porta e um projeto de palco.
Mas não temos do que reclamar. Um gabinete itinerante no hall é muito melhor do que no segundo palco de eventos do IF - o refeitório, já que não somos sufocados pelo cheiro de comida e não teremos futuros problemas auditivos devido àquela caixa gigante que mais parece um paredão de racha de som.
Obras iniciadas, aquela esperança de ter mais livros de qualidade numa biblioteca “top internacional”. Porém, seguindo o mesmo caminho do auditório, temos essa biblioteca que, desde os primórdios da nossa turma no IF, está sendo construída. Reza a lenda que é colocado um tijolo por dia, e à noite são retirados dois.
Mas foi tudo pensado, no projeto foi decidido que a biblioteca teria uma ilusão de ótica. Ao olhar de frente, ela parece concluída, mas ao ver a lateral, percebemos que ainda está pela metade. Um lembrete: se quiser ir ao banheiro, é bom você trazer o papel de casa, pois puniram os alunos por quererem transformar o banheiro no estádio da Bomboneira, causando o corte inesperado do papel, deixando quem está com dor de barriga no desespero.
Mas nem tudo é tão mal. Nós temos o maior viveiro de tilápia, e uma granja atrás da escola, que conta com várias árvores frutíferas, como cajueiros, mangueiras e coqueiros, sem esquecer das aves: o peru, a família de patos e as galinhas. Inclusive a mistura do almoço é o couro dessas aves, é só o couro mesmo, porque de frango só tem o nome. “Frango à passarinha”, olha que nome bonito! Mas assim que você corta o primeiro pedaço descobre que deveria se chamar “Osso de frango à passarinha”, ou até mesmo “Couro de frango à passarinha”.
Já que estamos falando em almoço, nos tempos remotos do Campus nós podíamos estudar mineração ou geologia durante a refeição, pois podíamos encontrar diversos tipos de pedras, de tamanhos variados inclusive, dentro do feijão. Vai que as pedras eram pra fortalecer ou dar o gosto no feijão, vai saber! Tivemos até um aluno premiado, Thiago Pereira, que atingiu um recorde de 7 pedras encontradas em uma única refeição! Isso deveria entrar para o livro dos recordes.
A gente também pode contar com uma ótima qualidade de sucos, como por exemplo a balinha de abacaxi, que é um nome dado pelos alunos para o que deveria ser um suco, mas não passa de uma água com corante e cheiro. Também podemos encontrar essa água em diversos sabores como acerola, tamarindo, goiaba, entre outros. O único que ainda pode ser considerado suco é o de manga, tem até consistência, acredite.
Porém, tem dias que os alunos agradecem seus almoços grátis, nesses dias temos como mistura: lasanha, suflê de verduras e estrogonofe de carne e frango. Nesses dias, os alunos que enfrentam a fila quilométrica do almoço, as horas duras sentados no corredor, falando da vida alheia, agradecem por um almoço de qualidade. Quer dizer, quase isso.

                                                                                           Vivyanne Moura

Muito além do baseado

           Drogas são substâncias que alteram os processos químicos do organismo. Contudo, em um outro contexto, o termo se refere a substâncias psicoativas e são geralmente associados às drogas ilícitas, reguladas por leis.

            A maconha é uma planta, e o registro de seu uso é de milênios antes de Cristo. Usada em rituais, misticismo entre outras coisas, a planta sempre apareceu como um “bem” sagrado para algumas religiões. Porém, com o tempo, o uso e consumo da maconha se tornaram banais, e o seu nome, para algumas pessoas, já causa uma má visão, associando a uma coisa ruim.

         Dizer que a maconha é apenas um cigarro que prejudica a saúde é errado. O uso dela como erva é somente um caso singular de uma gama de aplicações úteis da planta. O fato é que muitos falam de uma coisa que não conhecem. Por exemplo: para fins medicinais, podemos destacar o uso da maconha para o tratamento de algumas doenças vasculares, para abrir o apetite, regular a pressão ocular de pacientes com glaucoma, produzir medicamentos para combater o enjoo etc.; Para fins industriais, podemos usá-la para produzir jeans, cosméticos, papel, combustíveis vegetais, carrocerias, fibras e outros fins. Estima-se que se derivam mais de 25 mil produtos da maconha, segundo a USP.

            Quando falam dos pontos negativos, ou maléficos da maconha, estão se referindo a ela ou ao baseado? De fato, o baseado traz consequências para quem usa, mas mesmo assim não se compara nem ao mais leve cigarro, ou até mesmo a outras drogas legalizadas. É uma proporção de 4 substâncias tóxicas da maconha para 40 substâncias do cigarro, ou seja, nem dá para comparar.

            Descriminalizar a maconha acabaria com o preconceito, diminuiria o tráfico, e daria alternativas inovadoras para a medicina, afinal, as plantas se mostram cada vez mais úteis para a saúde.

Raddson Ricelle –  estudante do 2º ano do curso de  Informática no IFRN – Câmpus São Gonçalo do Amarante 

Buk - Buk

Você deve estar se perguntando que nome ou apelido estranho: Buk-Buk?
Todos nós sabemos como os jovens de hoje em dia são, com os hormônios a mil, loucos pra esconder o pau na barroca ou a barroca no pau. Hoje, as meninas estão bem mais oferecidas que os meninos.
- Ei, vamos brincar?
- Brincar de quê, de carrinho?
- Não. De uma coisa mais legal.
- O que então?
- Sei lá... De papai e mamãe talvez...
- Humm, eu sei o que você está querendo...
- Então se sabe, por que não vem me dar? Mole!
Sandrinha era umas dessas meninas, atiradas... Além disso, só porque estudava no IF achava-se entres as amigas a última Coca cola do deserto, a última bolacha do pacote, a bunda mais desejada do Campus de São Gonçalo do Amarante. Certo dia estava em sua casa, sem fazer nada, decidiu comprar bebidas e chamou dois amigos, Bio e Eurico, que estudavam no IF.
- Ah! Até que enfim vocês chegaram. Agora quero que meu dia seja mais alegre! Me surpreendam.
Eurico, vendo que Sandrinha já estava tonta por causa da bebida, inquiriu:
-Então posso lhe propor um desafio?
-Fale, dependendo do que seja, posso até aceitar.
-Tem coragem de cantar no meu microfone?
- Humm, safadinho, mas eu sempre quis fazer isso, só estava esperando uma oportunidade para ingressar na carreira.
- Mas se for pra cantar no microfone dele, tem que cantar no meu também - disse Bio.
- Hanram.... hunruu... nos dois?  Assim vocês querem que eu vá é para a final do The Voice! Mas vamos lá, tudo bem. Adooooro...
- Nossa, você canta bem Sandrinha! – disse Eurico.
-Sei... Só tenha cuidado pra sua fonte não jorrar na minha garganta!
-Pode deixar, Sandrinha, vou apenas te banhar.

Dias depois no IF, o boato se espalhara mais rápido que pavio de bomba, voava pelos corredores mais rápido do que águias. Quase todos já estavam sabendo do ocorrido. E o que se escutava por todos os cantos da escola era:
- Buk-Buk!
Na cantina da escola:
- Buk!
No refeitório:
- Buk-Buk!
Nos degraus de acesso ao hall:
- Buk!
Na parada do busão:
- Buk-Buk!
Nas dependências do Campus, só se ouvia esse mantra. Bio e Eurico terminaram mudando a identidade da pobre cantora. Sandrinha, ou melhor, Buk-Buk, cansada daquele apelido, tranca sua matrícula no IFRN de São Gonçalo.
Ela estava decidida a mudar de vida, deixou o curso de que tanto se orgulhava, entre suas coleguinhas e familiares.
- Mulher, você vai deixar uma escola tão boa como essa?
- Vou. Não aguento mais... Vou tentar uma vaga no novo Campus, que abriu em Ponta Negra.
- Sério? E o que você pretende cursar lá?
- Ora, Informática ou Redes, porque aí sim poderei fazer o que eu sei de melhor.
- E o que é?
- Fazer Programa.
Mal sabia ela que a Roberto Freire já estava com uma concorrência altíssima...

                                                                                              Victor Mello

                                                                                              Thiago Pereira

Primeiro dia

Sentado já há trinta minutos, fiquei ansiosamente a esperar a aula começar. Não dormi na noite passada, fiquei imaginando como seria a primeira aula no Instituto Federal de São Gonçalo do Amarante.
Imaginei coisas baseadas nas propagandas de quem já estudava. Quem estuda no IF parece que vira garoto propaganda do Instituto: sempre falando das qualidades da estrutura; usa a farda para ir pro shopping, pro casamento da avó, pro velório do tio; posta no Facebook o quanto está atarefado com as atividades; compartilha os status dos amigos que lamentam a falta de tempo e comentam “fato”. Enfim, é uma série de artifícios que criam uma muralha imaginária de dificuldades pra quem sonha em estudar no Instituto.
- Você está preparado para começar a estudar de verdade? – Me questiona uma linda garota de cabelos loiros.
- Na verdade nem sei o que estou sentindo. Devo estar com um ecossistema no estômago – Não soube discernir se era o nervosismo da aula, ou de estar perto da garota.
- Fica calmo. O professor nem chegou ainda.
- Por isso mesmo. Talvez o monstrengo esteja preparando um algoritmo para iniciar o massacre com os calouros.
- Monstrengo? Espere pra ver o tourão que é o professor de Eletrônica!
- Ah, que ótimo! – Por mais que ela falasse em tom irônico, aquilo me parecia tudo verdade.
- Esqueci de perguntar o seu nome.
- Eu tenho cara de quê?
- Felipe, Mário, Pedro, Jorge, não sei.
O professor estava demorando muito. Era aula de Programação em plena segunda-feira no primeiro horário. Tentei imaginar então como seria a aula.
            Lembrei de que, quando andava no ônibus, sempre via algum estudante do IF com uma lista de 500 páginas de exercícios, ou lendo livros volumosos como o de Harry Potter. Pensei então que a aula seria como um congresso intergaláctico de nerds alienígenas resolvendo equações das teorias do universo.
- Vou te passar todas as boas práticas de sobrevivência, tudo bem?
- Acho que você não está me ajudando.
De repente toca para o intervalo e nada do professor.
No intervalo, deu para respirar. Mas não por muito tempo. Um sujeito veio se aproximando de mim. Primeiro dia de aula, sempre tem um pobre coitado carente, tentando fazer amizade.
- Muito bom, hein! A loirinha já tá na sua!
Ops, me enganei. O guri era gente boa.
- Que nada. – respondi olhando para os lados.
- Vamos sair, estão vindo uns babacas. Eles são de Edificações.
            Então percebi que se existiam “eles”, existia um “nós”, eu e meu amigo. Então isso fazia de mim um pobre carente também.
- Vou voltar pra sala, vou lanchar lá. - falei tentando sair de perto dele.
Voltei e sentei novamente no meu lugar.
A cadeira verde parecia muito confortável comparada às da minha antiga escola. Ela tinha uns nomes em alto-relevo que me atentavam para pegar o lápis e rabiscar seus contornos, coisas que geralmente fazemos quando não botamos a tampa da caneta na boca. No canto superior direito da mesinha, tinha um suporte arredondado que me fez imaginar um copo bacana para encaixar ali e poder me hidratar durante as aulas.
- Fez novos amigos? – A loira se chegava novamente.
- Só um pobre carente, nada mais.
- Ah, que bom!
- O primeiro professor nem veio.
- Que sorte a sua. Programação é boa só de longe, acredite.
Entra velozmente um professor, com um jeito agoniado, montando as coisas sobre o birô. Camisa verde da Stalker, óculos, orelhas compridas, sem barba. Tira da bolsa um monte de papéis.
- Se prepara... – diz a loira com cara de assustada.
- Como assim?
O professor se ergue triunfalmente, como se fosse apresentar uma peça ao ar livre. Parecia até uma cena em câmera lenta.
- Vamos, vamos, entrando no clima, pegando as apostilas, que o conteúdo está delicioso!
A garota vira novamente pra mim.
- Bem-vindo ao IF oficialmente, sua alegria acaba aqui.
            O professor passa entre as filas entregando uma pilha de folhas, com textos e teorias da língua portuguesa. Ao passar por mim, percebe que sou novato.
- De onde você é, amiguinho? – Com uma voz tenuamente doce.
- Sou de Natal. – respondo desconfiado.
- Natal, mas é claro!

            Todos riram e eu não entendi o motivo. Mais tarde descobri que seria o primeiro de tantos outros famosos bordões.

                                                                                                Raddson Ricelle

Podia ser pior!

          No fim do ano letivo, Taygor Enrico, um estudante de Informática do IFRN de são Gonçalo do Amarante, tinha que mostrar o resultado final aos seus pais e não sabia como fazer isso. Foi conversar com seu amigo Pedro, que, diferente dele, já havia passado por média.
        - Pedro, tô fudido!
        - O que foi, homem?
        - Ano passado o professor de Eletricidade ainda me passou, mas esse ano...
        - Acredito não, Taygor! Passou não?
        - Passei não, essa droga!
        - Vacilou! Também, você mal assiste aula e, quando está em sala de aula, é só pra dormir. Assim não tem como passar, né?
        - O problema agora é como vou falar isso pra pai e mãe. Acho que nem vou falar.
        - Mesmo que você não fale, eles vão ficar sabendo de todo jeito. O pessoal da pedagogia ligará pra sua casa. É melhor você falar.
        - É mesmo... Acho que sei o que vou fazer.
        E resolveu deixar uma mensagem grudada na tv.
        Oi, pai! Oi, mãe! É com muita tristeza que escrevo para vocês. Quando vocês estiverem lendo esse recado, já devo estar em Pipa, curtindo o fim de ano com Malu, aquela menina que conheci quando fui preso no show de reggae lá na Ribeira. Só volto ano que vem, se arranjar dinheiro pra voltar. Ah, se vocês não sabiam, agora sabem que eu já fui preso, mas relaxem: fui solto quando a festa acabou.
        Diana, a mãe do insensato, quase desfalecida, não consegue ler o resto da mensagem e chama pelo pai do indivíduo.
        - Naldo, venha aqui pelo amor de Deus!
        - O que foi? Tá passando mal?
        - Leia isso. Diga que não é verdade o que eu estava lendo. Show de reggae na Ribeira? E eu pensando que ele ia pro Midway com os amigos da escola!
        - Nesses shows de reggae só dá coisa que não presta: maconha, vagabundo, só coisa ruim. O que Taygor tava fazendo ali, Diana? Com quem é que ele tava num canto desses?
- Meu filho preso?! Que horror! – Diana não se conformava - Nunca pensei que viveria pra ver uma coisa dessas. Isso devem ser as más companhias que ele arranjou lá no IF.
- Preso? É o quê? Acredito não! Esse vagabundo...
        E Naldo continua a leitura.
        Estou apaixonado por ela, apaixonado pelas suas tatuagens, por aquele cabelo de “dreads”, por aqueles ferros e “piercings”, estou pensando até em botar um... Mas tenho que contar a vocês que não é só isso. O João Vitor, aquele negrinho que rouba dinheiro da igreja do pai dele, que veio aqui em casa com o professor Milson, que só assiste aula bêbado e faz “programas”... Lembram dele? Ele está com a gente. Porém, não se preocupem comigo. Já tenho 16 anos e sei muito bem me virar sozinho.
        Naldo estava enfurecido com o que acabara de ler. Diana continuava passando mal.
        - Mas como é que pode! Aquele menino que veio aqui com o professor parecia tão comportado. Lembra, Naldo? Fiquei até contente quando soube que era filho de pastor, achei que Taygor estava em boa companhia... E o menino bebendo, fazendo até programas? Deve ser por isso que nosso filho está entrando no mau caminho. Ele não era assim!
        Mal sabia ela que o seu filho é que estava levando o filho do pastor à perdição. Em matéria de curtição, o Enrico já era pós-graduado, aprovado com louvor e distinção.
        - Esse filho da mãe tá pensando que é o que pra fazer isso? Ele tá pensando que se governa! Isso é culpa sua, Diana, que sempre fez os gostos dele.
        - Pelo amor de Deus, não vamos brigar agora. Leia o fim dessa mensagem e vá pegá-lo onde ele estiver!
        Com amor e carinho do seu querido filho.
        Ah, pai, mãe, isso é só uma brincadeirinha, viu! Estou na casa da Cecília, minha namorada. Só queria mostrar para vocês que há coisas bem piores na vida do que as minhas notas, que devem estar aí em cima do balcão. Não se estressem! Ano que vem eu recupero.
       

Pedro Lucas 

Casamento gay: a religião deve aceitar?

          Desde que o pecado entrou no mundo, o homem vem usufruindo do seu livre arbítrio. Vemos, nos dias atuais, pessoas querendo ocupar cada vez mais seu espaço na sociedade. Os homossexuais, por exemplo, querem legalizar a união matrimonial homoafetiva. Legalizar? Mas todos não possuem liberdade? A religião tem algo a ver com isso?

          Alguns relatos históricos mostram que a prática homossexual é antiga, mas se abrangeu principalmente durante a época medieval. Os jovens guerreiros passavam anos em preparação e nas guerras, e, quando os hormônios “atacavam”, alguns se satisfaziam uns com os outros. Podemos entender que o homossexualismo, primordialmente, era apenas um desejo sexual.

          Muitas religiões e, principalmente o Cristianismo, não aceitam as práticas homoafetivas e, em virtude disso, também rejeitam a união matrimonial entre gays. Essa retórica se deve à condenação de Deus aos atos carnais e, nesse caso, a homossexuais.

          O livro de Levíticos, capítulo 18, versículo 32, diz que deitar-se com outro homem como se fosse sua noiva é abominável aos olhos do criador. A Bíblia condena todos os desejos que fogem dos padrões instituídos por Deus. Quais  instituições foram criadas por Deus? Todas aquelas do princípio da Terra!

          Outro fato que pode reportar é que a mudança de opção sexual agride o ciclo da vida, a estrutura familiar e a criação de Deus. Um homossexual, por definição, não é capaz de gerar um novo indivíduo com o seu parceiro. E o que falar de uma criança que nunca terá o verdadeiro “amor de mãe”, concebido pela autêntica progenitora? Um filho precisa necessariamente do equilíbrio familiar para gerar suas primeiras concepções. Assim como um filhote de leão, que precisa de cuidados maternos, e dos ensinamentos de caça, dados pelo pai. O mundo animal, a natureza  caminhan mediante um padrão que segue em harmonia desde o início do planeta.

          Por que então, mudar todo um contexto, ideais religiosos milenares apenas porque um indivíduo, dentro da sua liberdade, sentiu desejo por outro do mesmo sexo?

          De fato, a religião prega o livre arbítrio, mas não tem obrigação de permitir que, dentro de suas instituições, realizem-se eventos que estejam fora de seus princípios. Ame os homossexuais, eles são pessoas como qualquer uma, mas não sinta- se obrigado a concordar com suas práticas.


Raddson Ricelle –  estudante do 2º ano do curso de  Informática no IFRN – Câmpus São Gonçalo do Amarante 

Do WP para o IF

         Parece que foi ontem, que eu estava me mudando do interior de Ceará-Mirim para retornar à Zona Norte de Natal, especificamente para o famoso Vale Dourado, onde passei quatro longos anos de minha vida estudando no Waldson Pinheiro (2008-2012), para os íntimos WP, até que passei para a turma do curso de Informática do IFRN – Campus São Gonçalo do Amarante.
            Quando entrei no IF, fiquei deslumbrado com uma escola sem pichações, professores interessados em nos ensinar e com uma infraestrutura impecável. Já o WP nem parecia uma escola do ensino fundamental e sim a categoria de base do América. O vício era tão grande, que tinha alunos que iam para escola só para jogar bola, mesmo a quadra parecendo um queijo suíço.
            No Waldson, a matéria que eu menos aprendi, embora gostasse, foi Geografia. Começou no 6° e 7° ano com o professor Bernardo Vieira, um professor grosso que só falava gritando, e suas aulas se limitavam apenas a ler e resumir capítulos do livro. Já no 8° e 9° ano, foi José Santos, o professor mais ausente que já tive, só aparecia na escola a cada três meses para aplicar uma prova.
            No IFRN, a história foi diferente (graças a Deus!). Um professor conseguiu reacender a chama do amor que eu tinha pela Geografia: Romero Tertulino, mochileiro, dinâmico, extrovertido e que tinha amor pelo que fazia. Além disso, era vascaíno! Tem coisa melhor? Ao final de cada aula, ele sempre fazia perguntas sobre o conteúdo ministrado. Cada pergunta certa rendia scores, que valiam um décimo cada, e isso ajudava na nota ao final do bimestre. Todos o respeitavam. Bastava uma simples contagem regressiva de 3...2...1... e pronto! Toda a turma se calava.
            Todo mundo o adorava. Dava para ver o brilho nos olhos dos alunos ao assistir sua aula, e nas lágrimas de muitos ao vê-lo ser remanejado para o Campus Parnamirim. Os alunos de lá nem imaginam a sorte que têm de ganhar um professor tão bom como Romero. Mas eu ainda posso dizer que ele foi o melhor professor de Geografia que eu já tive.

Gabriel de Oliveira  

Nova escola

No início de 2012, recebi a notícia de que havia sido aprovada no IFRN- Campus São Gonçalo do Amarante para o curso de Informática. Na época, minha família e eu estávamos nos mudando de Natal para a cidade da minha nova escola. Fiquei muito empolgada pelas aventuras e novidades de São Gonçalo, pois nunca havia morado ou estudado fora de Natal. Por outro lado, fiquei temerosa por causa dos amigos que por lá deixei e pelo estudo no IFRN, que diziam ser difícil e cansativo.
Ao chegar na escola, me deparei com figuras excepcionais: Chibério, meu querido e amado professorzinho de Eletricidade Instrumental; o safadinho piadista, Neto, professor de Física; Gilberto, o professor de Matemática mais mel que eu já vi; e, é claro, Milson Santos, nosso amiguinho professor de Português. Logo no primeiro semestre, esse último professor nos trouxe a proposta de produzirmos cordéis. Para isso, além de nos fazer ler vários exemplares para que nos apropriássemos do assunto, ele nos levou à Casa do Cordel. Lembro-me, como se fosse ontem, da ansiedade dos alunos em viajar com a escola pela primeira vez. Tudo bem que era uma viagem de 20 quilômetros apenas, mas era um passeio com os colegas de turma. Após produzirmos os cordéis, houve a exposição dos melhores trabalhos e, modestamente, ganhei o 5º lugar na competição dos melhores cordéis. Como prêmio, recebi um pen drive de 16 gigabytes, um lápis e uma caneta. Eu os tenho até hoje, para lembrar que, se a minha carreira como programadora não der certo, ainda tenho vocação para ser cordelista.
Tive grandes amizades no 1º ano do ensino médio. Erick Rodrigo, Beatriz Germano e eu ficávamos até tarde na parada de ônibus conversando e esperando o bendito “R”. Infelizmente, eles tiveram muita dificuldade em seguir o curso e pularam fora. Sueldes e Milena... Nossa amizade foi interrompida pela divisão das turmas em aprovados (que foram para o turno da manhã) e reprovados (que ficaram no turno da tarde). Ainda mantenho contato com eles, mas não é a mesma coisa. Quando passei para o 2º ano, pensei que ficaria sozinha e sem amigos o resto do ano, pois as únicas pessoas com quem eu era mais chegada reprovaram. Porém, criei uma forte amizade com Amanda Maria, e, hoje, somos irmãs siamesas, sempre juntas, conversando, rindo.
Na minha nova escola, me deparei com muitas novidades trabalhosas e divertidas, como a produção dos cordéis, a apresentação da peça “Édipo Rei” e o Seminário de Iniciação à Pesquisa. Foram várias atividades que eu nunca havia feito nas outras escolas. No geral, todas valeram a pena.
Estudar no IFRN realmente é muito difícil e cansativo, mas os pequenos detalhes, as amizades que fazemos, os professores malucos... Enfim, tudo o que vem de lá o faz especial, nos faz ser diferentes, conseguir coisas que pensamos não ser capazes. Não vê? Sou até cronista!

Régia Carla Medeiros da Silva

Informática 2M

Correr-dores

Todo dia é uma corrida diferente, um olhar diferente, uma disputa diferente, para chegar à sala de aula, para fugir de nossos medos, para reencontrar um amigo. Corridas disputadas contra si próprio nos corredores sagazes do IFRN-São Gonçalo do Amarante. Disputas que muitas vezes são ganhas, mas também são perdidas injustamente, sem nem ao menos saber em qual corredor começou e com qual corredor vai terminar. Passagens onde podemos vislumbrar, só de passagem, as conversas, os namoros e até mesmo as tristezas dos alunos de nosso Câmpus.
As dores correm, juntamente com as lágrimas: dores de uma aluna de Informática que não conseguiu atingir a média na matéria do medo, matéria da dor - Programação Orientada a Objetos. Já vimos muitas de suas vítimas pelos corredores. Dores de um aluno de Edificações e um de Informática, que sempre estão juntos e quando passam e escutam aquele toque de violão ao longe, aquela melodia cuja letra todos assimilam com suas vidas, têm algumas lembranças. Até que surge aquele momento tão esperado por uns, e tão rejeitado por outros, pois ninguém sabe o que o outro está sentindo, pode ser uma simples dor de cabeça, como pode ser apenas uma vontade imensa de pôr tudo pra fora, chorar no ombro amigo, ou rir de tudo que passa pelo corredor.
Estar com amigos em direção ao refeitório, antes do toque para o intervalo é o mesmo que deixar um segurando firmemente o silêncio do outro naquele corredor frio e silencioso, mas são amigos e continuam a caminhar no corredor, agora nem tão silencioso como antes. São tantos alunos, tantas vozes, num barulho estridente, até que alguém de alma boa e descontraída começa a falar, mas sua voz soa como se fosse apenas mais uma voz do embaralhado de vozes que saíam cantando, atrapalhando, ajudando, decifrando. Cada voz com seu objetivo, cada uma querendo viver sua doce e rápida vida.
Os corredores nos apoiam. Eles são nosso suporte, dia após dia. Jogamos nossas mágoas em cima deles, em relação a notas. Todo final de semestre é sempre igual: aquela choradeira de um lado, aquela euforia do outro. Corredores, eles têm a opção, pelo nome, de correr, mas não correm nem se escondem, estão sempre conosco, no mesmo lugar, sempre nos esperando, para escutar mais uma história: de terror, de amor, de tristeza e de alegria, cada uma de uma voz que tem um sonho totalmente diferente da outra.
Dores dos corredores. Não sei como eles conseguem ficar todo esse período com a gente, vendo as corridas, vendo os sonhos, sentindo nossas dores, suportando aquela garota de Edificações aos prantos por não ter conseguido que seu amado a correspondesse. Ela realmente o amava, assegura o corredor, e a notícia correu corredores acima, até que ela resolveu seguir em frente. Corredores, sempre aguentando nossas demoradas e longas discussões, a respeito da prova que acaba de acontecer, a respeito da vida, a respeito de um olhar. Ah, corredores, perto de vocês, mas longe de alguém, estar sozinho em sua companhia é estar relaxado ao escutar aquela música preferida, compartilhar aquele sonho antigo, mostrar aquela euforia retórica.
O tempo e o corredor. Acho que eles são amigos. Corredores precisam de tempo para bater seus recordes e o corredor tem todo tempo do mundo para esperar pacientemente junto com seu parceiro sentimental a hora em que ele tenha que partir, para mais uma de suas corridas. Um dia irá voltar para o colo quente e aconchegante do corredor, que espera pacientemente a sua chegada com mais histórias.
Confidente e confiante é o corredor. Vê vários e vários casais se amando, se apaixonando e se beijando, mas continua lá, nem corre nem sai do lugar, aguarda sempre que preciso esperando outro casal apaixonado despejar sua paixão ali, ao seu lado.  Conquistando um ao outro nos seus “amassos” quentes e inesperados, silenciosamente quietos como uma leoa prestes a capturar sua presa, eles conseguem acalmar-se no corredor. Um dos mais vistos é o casal A, A de amor, de amizade; A de Arthur e Alexandra, que por mais que tenham demorado oficializar esse romance incrivelmente bonito, fizeram a coisa certa, e hoje estão transbordando um pouco desse amor pelo corredor, que absorve e se sente lisonjeado por estar ali.
E a cada novo ano os corredores vão ganhando volume, novos amigos. Este ano ele recebeu de braços abertos as novas turmas, de Logística, de Informática e de Edificações. Juntamente com as turmas anteriores no intervalo das doze horas, o corredor é uma animação só. Conversas aqui, na fila do almoço; conversas ali, muitas pessoas da nossa turma na tão disputada e desejada “Caverna do dragão” - aquele pedacinho denominado tão especial. Não lembro o porquê de tal nomenclatura, mas amigo é amigo, e, amigo que se preze, sempre tem um apelido aqui ou ali. O corredor não poderia ficar de fora.
Em relação ao amor indescritível entre as duas isoladas e individualistas turmas de Informática e Edificações, o corredor relata que por trás de todo o duelo, existe sim uma fraternidade entre os cursos. Claramente, víamos nos corredores aquele alvoroço, na época da tão disputada e acirrada SEMADEC, e com ela os corredores presenciaram o horror, o desespero, o medo e a dor dos alunos dos cursos que participaram dessa empolgante competição. O corredor, ao fim, visualizou a vitória do curso de Informática, com persistentes dez pontos de diferença. E infelizmente notou também o desânimo da parte dos alunos de Edificações, que demonstraram não gostar muito do resultado, mas nada, nem mesmo esse grande confronto, fez com que sua enorme benevolência deixasse de existir.

Dores, sonhos, sentimentos, todos compartilhados com ele: amigo, inesquecível corredor. Sempre que precisar, sei que estará aqui, para o que der e vier, para me apoiar, para me ajudar, para me suportar, me ouvir; de ouvidos bem abertos para escutar todo e qualquer lamento, de coração na mão, para me acompanhar naquela ou em outra solidão; e, de braços abertos, para me aconchegar, sentir meu cheiro e me sentir mais perto. Corredor, não corra! Partilhe sua dor, sinta nosso calor, não esqueça nosso amor. 

                                                                                                                        Rafael Cardozo

Toda saudade do mundo


Já na oitava série ficava me transportando ao futuro, na tentativa de ver se conseguiria me separar da turma. Não brinque, passaram-se três anos que não os vejo. Turmão da oitava série. Oito anos juntos: mesmos professores, mesmos colegas...
        Aquele prédio de muros altos e brancos, lindo. Ele fica na Avenida 8 com a Mascarenhas, no velho e populoso bairro do Alecrim, Natal. Comecei a estudar lá com seis anos, saí com 14, mas carrego aquele prédio branco comigo.
        Lembro-me do corre-corre das crianças, da fila do lanche, das minhas notas ótimas, dos trabalhos leves, não tão difíceis, da amizade dos professores, do tempo em que eu dormia. Dormia. Hoje eu conjugo esse verbo de modo diferente: “não durmo”.
        Mas eu tinha um sonho: entrar no IFRN. Ah! Entrar no IF, onde todos eram bons, aplicados e responsáveis. E, depois de algumas tentativas, eu consegui entrar. Mas a saudade era grande. Toda saudade do mundo. Já como estudante do IF, ainda fui duas ou três vezes ao meu antigo colégio, tentando emergir daquele mar de saudade.
       
Lá e cá. Lá, saudade. Cá, realidade. A realidade, hoje, é esta: muito estudo, poucas horas de sono, muitas matérias, trabalhos intermináveis, frequentar o CA (Centro de Aprendizagem), a biblioteca, além de ler livros e mais livros. Lá, estudar um dia antes da prova funcionava: as notas eram exemplares, sem muito esforço para obtê-las. Os trabalhos, quando havia, eram fáceis.
        No entanto, estudar no IFRN, Campus São Gonçalo, era não somente um desejo meu, mas também de todos os servidores de lá. Eu era aconselhado a estudar para as provas, era tratado como um filho, um prodígio. Aqui é diferente: cada um por si, Deus por todos. Do lado de cá, esse ditado passa a valer. Não havia nada melhor que ir para a escola bem cedo e ser contemplado com uma grande sinfonia regida pelos pássaros maestros. Nessa sinfonia, os músicos eram o vento e as árvores.
        Hoje me transporto àquele tempo, resgatando lembranças dos colegas, dos servidores e da facilidade da oitava série. Com certeza, parte de mim, ao sair de lá, ficou. Visitarei um dia a Escola Municipal João XXIII, pois um bom filho a casa torna.


                                                                                          Mário Jorge