Estava
indo ao banco com meu pai. Dia quente, longo e estressante engarrafamento. Não
era um bom dia. Chegando ao Banco, ainda me deparei com uma fila enorme para
pegar a ficha. Após um tempo de espera, ouvindo reclamações e gritarias dos
vendedores ambulantes, eis que um beija-flor entra no Banco. Ninguém reparou no
começo, mas foi começando a se agitar e passou a chamar mais atenção dos ali
presentes. O clima de estresse se transformou em um clima alegre, todos
tentaram ajudar o pobre beija-flor, sem sucesso.
Um
homem na minha frente começou a contar sobre o seu jardim cheio de beija-flor;
a moça a sua frente, contou, impressionada, que eles batem as asas 10 vezes por
segundo. Corrigi-a. Falei que batem 90 vezes. Ninguém acreditou, mas relevei.
Ao olhar à minha volta, percebi que todos estavam interagindo, até os que estavam
com o celular trataram de o guardar no bolso. Parei para pensar e me dei conta
de que quem realmente estava preso éramos nós, os humanos. Acho engraçado como
as coisas do cotidiano nos prende. Desde relacionamento a objetos. A forma como
ficamos fissurados nisso nos faz perder a noção do que é realmente importante
para as nossas vidas. Também há aqueles que traçam metas ou focam objetivos.
Perdem a noção do mesmo jeito.
Precisamos
ter o pensamento leve, como um beija-flor. Ele só se preocupa em alimentar-se e
reproduzir-se. Vive livre e em harmonia com a natureza. Um simples
acontecimento pode transformar um ambiente caótico em um ambiente pacífico. A
partir desse momento, comecei a refletir como um simples objeto, que nos
conecta a outras pessoas mais distantes, pode nos desconectar das pessoas que
estão ao nosso redor. Pensei também sobre como aquele pequeno beija-flor pôde
mudar o humor dos estressados com a fila. O beija-flor foi a chave que nos
libertou das nossas correntes diárias, prendendo-se a uma delas. Não sei ao
certo qual foi o destino do beija-flor, mas tomara que ele tenha se desprendido
dessa corrente e tenha voltado a ser livre na natureza.
Matheus Thierry - dezembro/2015
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