terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Precisa-se de alguém



Eu estava voltando sozinha para casa, coisa que não fazia há meses, por volta das dezessete e quarenta, quando me lembrei de uma noite adorável que vivi há pouco mais de um ano. Naquele dia, o sol havia acabado de se deitar quando saímos pela primeira vez. Estávamos abraçados, ainda que nossos corpos não estivessem tão próximos naquela ocasião. Estávamos a caminho de algumas apresentações culturais e a nossa felicidade era algo absurdamente grande. Era maior do que o barulho que os mais de quarenta alunos faziam dentro daquele ônibus antigo e desconfortável. Era a primeira vez que realmente ficávamos juntos. Nos sentíamos íntimos, apesar de nossas conversas, antes desse dia, terem sido apenas por essas novas cartas instantâneas e, das poucas vezes que nos vimos pessoalmente, o silêncio tomasse conta do ambiente. Era como uma contradição, sabe? O que mais afasta as pessoas nos tempos atuais nos uniu.

Pra que lado fica o bosque?



Logo depois do recesso de outubro, ouvimos boatos de que iríamos ter um bosque para o nosso lazer, alunos do Campus - IFRN São Gonçalo do Amarante, no nosso tempo livre. Esperávamos curiosos o espaço de descanso. Não demorou muitos dias, até que ele estivesse pronto.
O Bosque do IF, como é chamado, se transformou em um lugar muito mais do que apenas para relaxar ou passar o tempo nos intervalos, tornou-se a concentração dos alunos que não vão às aulas de Programação, que jogam conversa fora sem precisar se comunicar só por Wi-Fi, fez-se moradia para os alunos na “bad” e principalmente um ninho de amor para os casais do Campus, que viviam às soltas pelos corredores.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Não voltará



Faltavam dois dias para o Natal. Estava organizando uma confraternização em família, subi até um quarto onde guardava todo tipo de trecos que não mais utilizava em busca de alguns enfeites natalinos. Observei alguns enfeites dentro de uma caixa de papelão e resolvi pegar para colocá-los na árvore.  Ao puxar, tudo desmoronou e foi ao chão, dezenas de enfeites sobre mim e, em meio a eles, achei um antigo álbum de fotografias. Comecei a folhear.

#MeuAmigoSecreto



Agora essa é a nova moda do Facebook: falar sobre um tal de amigo secreto que todo mundo tem. Parei para observar por uns instantes, percebi que algumas pessoas estavam rindo da campanha e acho que eles que estão certos. Sim, eles estão certíssimos!
Uma garota falou que seu amigo secreto acha que homem que se relaciona com muita mulher é “pegador” e uma inspiração, mas mulher que fica com muito homem é vulgar e fácil. O que essa garota tem na cabeça? Claro que seu “amigo” está certo, o que as pessoas pensariam sobre uma mulher que transa com muitos garotos?

Geração Coca-Cola



Nas tardes de sábado, quando o sol esfriava um pouco, depois de almoçar peito de frango e comer uma fatia de bolo que meu pai trazia do Nordestão, os moleques lá da rua me chamavam para jogar videogame. Veja bem, seria hipocrisia da minha parte se eu dissesse que, enquanto as crianças de hoje estão obcecadas pela tecnologia, eu só fazia brincar na rua de esconde-esconde e tica-trepa. Não. A minha geração já tinha acesso a essas tecnologias, mas, claro, bem mais limitado. Por exemplo, era comum os meninos (e até mesmo as meninas) gastarem toda sua mesada na casa de videogames que ficava na rua adjacente à minha. Eu ganhava dez reais todo sábado, mas sempre usava o truque de pedir dinheiro pro meu pai nas quartas-feiras. Esse dinheiro era investido em horas e horas com o controle na mão e o olho na tela. Não tão diferente das crianças de hoje nos seus tablets e celulares potentes, sendo que eu só tinha esse privilégio nos finais de semana e até meu dinheiro acabar.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

“INFICA”, uma relação de amor e ódio



No IFRN-SGA, existem 3 cursos integrados ao ensino médio diferentes. Todos têm aquelas pessoas ruins, abusadas e que todo mundo odeia, mas também há boas pessoas, aquelas que se dão bem com todo mundo, sabe?! Pois é, mas estou aqui pra falar apenas de dois deles, Info e Edifica...

Medo



Medo é uma desgraça! Por que diabos sentimos medo? É contagioso! Não entendo porque dizem que compartilhar os medos pode trazer benefícios. Comigo sempre foi totalmente o contrário. Às vezes até faz o outro se sentir pior. Conheço pessoas que, se ouvirem sobre uma possibilidade de um meteorito cair sobre a terra, ficarão o resto do dia vigiando o céu a cada meio minuto.
Foi assim, em agosto do ano passado, espremido entre as poltronas do avião. Procurava me ajeitar no espaço reduzido para cochilar tranquilamente, quando o sujeitinho do lado pronunciou a bendita frase:
– Essa droga vai cair, irmão! Vai cair!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Muito mais que 30 linhas



"Ninguém nasce mulher: torna-se mulher" Foi com essas palavras de Simone de Beauvoir, retiradas de sua obra O segundo sexo, que cerca de 7,7 milhões de candidatos, que fizeram o Enem no dia 24, se depararam. No entanto, nunca imaginei que o segundo dia de prova, 25 de outubro, iria me surpreender ainda mais trazendo "A persistência da violência contra a mulher no Brasil" como tema da redação. Fico imaginando o que as milhares de pessoas que fizeram o exame conseguiram escrever em apenas 30 linhas. O que mais poderia ter sido dito se o limite não fosse esse?

Velhas lembranças



É engraçado como uns acontecimentos nos remetem a outros bem semelhantes, embora com algumas particularidades. Quem diria que, um ano após a nossa entrada no IFRN - São Gonçalo do Amarante, reviveríamos o momento uma segunda vez?! O dia 04 de maio de 2015 nos levou para o nosso primeiro dia de aula, há um ano, mesmo depois da “calourisse” ter sido deixada de lado e, agora, termos tomado posse do título de veteranos. Curioso como os olhos estrelados dos novos “IFanos” pareciam com os nossos, hoje já cansados pelo peso dos trabalhos e das horas que passamos programando em frente a computadores. Mas sempre será gratificante ver a esperança que todos colocam em sua entrada na escola mais almejada do Estado.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Na academia


Abri minhas redes sociais. Twitter. Facebook. Instagram. Snapchat. Até o Google +. Só via uma coisa. Fitness. Pelo menos pessoas na tentativa. Grupo da família no WhatsApp. Tio Lu começou a malhar. Arranjou logo namorada. Tia Fernanda tá correndo. Perdeu 5kg. Nem usou Herbalife. Virou febre.
Resolvi ir na academia. Todo mundo postando no Instagram. Comparações motivacionais. Corpos bonitos e sarados. Às vezes nem tanto. Todos os ângulos possíveis da academia de musculação.

domingo, 13 de setembro de 2015

Crucifique-a!

          Temos vivido momentos de grande disputa no Brasil, seja ideológica, social ou religiosa, principalmente esta última. Qualquer acontecimento que antes possivelmente passaria despercebido, é suficiente para provocar uma onda de declarações a respeito do assunto.
            Não foi diferente com a Parada Gay paulista, pois nosso país ainda veste a carapuça do conservadorismo religioso. Portanto, crucificar novamente Viviany Belboni foi o prato da vez.
            Custa-me acreditar que os líderes religiosos brasileiros não tenham compreendido o significado do protesto. Sim, houve protesto e ele foi brilhante. A travesti trouxe para o evento algo que muitos sequer haviam notado:  os homossexuais, assim como todos os outros oprimidos, representam o Cristo nos dias de hoje.
            As disputas citadas anteriormente acabam se misturando, no fim das contas. É por religião que condenam Viviany, mas é também, sobretudo, por ideais preconceituosos. Ideais disseminados para manter o controle e o interesse dos tais pastores sobre os fiéis.
            O protesto incomodou porque é difícil de ser compreendido pelos que estão acostumados a reproduzir o discurso mortal de seus líderes. Deve ser realmente bastante complicado perceber que Jesus Cristo, crucificado por ser trans(gressor), é muito mais parecido com homossexuais do que com alguns daqueles que são frequentadores assíduos dos templos religiosos.
            Viviany foi vítima antes, durante e continuará sendo após o protesto. Continuará, também, sendo acusada de cristofobia, que nada mais é que um termo inventado por aqueles que não compreendem o que o Cristo representou, mas, mesmo assim, continuam se colocando como os únicos a serem salvos.

            Diante de tudo isso, podemos concluir que a Viviany só foi acusada de desrespeito à religião porque é travesti, tem aparência feminina e não é o Neymar.


Larissa Araújo - estudante do 3º ano do curso de Informática do IFRN - Campus São Gonçalo do Amarante /TAL de Língua Portuguesa e Literatura

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Respeito é bom e eu gosto


Não é de hoje que existe conflito entre religião e opção sexual. Essa discussão vem de longa data. É um tema corriqueiro e que não sai das mesas-redondas, dos debates, etc. São tópicos sobre o casamento gay, sobre adoção de crianças por casais homossexuais, violência com os LGBTs, entre outros, muito dos quais vêm à tona durante as Paradas Gays que ocorrem em todo o país.

A Parada Gay é um movimento que busca defender a causa do público LGBT, buscando a igualdade na sociedade, assim como a Marcha da Maconha defende a legalização da erva e os movimentos estudantis defendem a redução da tarifa de ônibus, entre outros inúmeros movimentos. Porém, a última parada em São Paulo foi marcada por uma imagem muito questionada de uma transexual com trajes semelhantes àqueles que nós cristãos acreditamos que tenham sido utilizados por Jesus em sua crucificação. Ela ficou conhecida como “A Crucificada”, e sua performance foi vista como uma afronta à religião cristã.

Apesar de a atriz afirmar que sua intenção era comparar o sofrimento que os homossexuais sofrem hoje com os que Cristo passou em sua época, não foi bem isso que se compreendeu. Pelo contrário, gerou uma rixa maior entre cristãos e gays. Tanto é que ameaças foram feitas, não só à autora do protesto, como também ao movimento em  geral.
Como sabemos, os grupos LGBTs são sim excluídos de nossa sociedade, mesmo que isso não seja da nossa parte, mas o sistema causa essa exclusão de uma forma ou de outra.

Se a intenção dela era chamar atenção, conseguiu, entretanto, de uma forma desagradável. A transexual foi, na minha concepção, infeliz em seu ato de protesto. Misturar religião com sexualidade não devia ser uma coisa comum, mas é o que acontece. Isso não justifica, claro, as ameaças, os xingamentos e as milhares de ofensas que ela e o movimento sofreram, mas bater de frente com a crença, com a fé de alguém é um desrespeito.

Portanto, sou contra o ato em questão e imagino que a manifestante teria outras formas para denunciar essa discriminação que os homossexuais sofrem. Defendo que é necessário respeitar cada religião, cada opção sexual, cada ponto de vista e tentar buscar uma forma de viver bem, em harmonia, sem conflitos, respeitando um ao outro.

Jâncy Aragão - estudante do 2º ano do curso de  Informática no IFRN – Campus São Gonçalo do Amarante / TAL de Língua Portuguesa e Literatura